30/10/2007
29/10/2007
Cri-crizises
No meu último post, o Carmelo, me perguntou porque eu achava um filme que tinha citado ruim. E esse foi assunto que eu mesmo me perguntei depois. Mas que porra, o que faz um filme ser bom ou ruim na minha cabeça? Não simplesmente por eu ser chato e ponto. As vezes posso até passar do ponto sendo cri-cri, mas isso porque acho que tem muita gente que poderia estar fazendo zilhões de vezes melhor.
O motivo principal de eu não gostar do filme, e independe de qualquer outra coisa contida nele, me faz desgosta-lo, é a intenção do realizador. Vide Cidade de Deus, que tem todos os elementos "cinematográficos" muito bem feitos, mas sinto uma intenção excessiva de seduzir o espectador, e não gosto. Outro exemplo, é a visão horrenda de mundo em Babel.
Outros motivos que me fazem não gostar de um filme:
- Informação demais, ou de menos.
Bom, não preciso falar da redundância interna dos filmes, em explicar tudo a toda hora, mas na linha totalmente oposta, vários filmes fazem questão de aumentar o tempo de seus planos, sem dar nenhuma informação, e sem criar nenhum clima. Last Days e Elefante eu acho filmes muito bons, eles não nos dão informações, mas temos uma criação de clima sensacional, diferente dos filmes do Abbas, que eu acho que muita gente acha genial simplesmente por ele não dizer (quase) nada.
- Figurinha repetida
Outra sensação horrível, é a de ver um filme onde tudo que ele usa já foi usado antes. Tempos, enquadramentos, atuações, roteiro, etc. Um filme que não traz nada de novo, pra mim, não deve nem ser visto.
- Revolucionário de Botequim
O cara vai lá, faz o filme, cria uma sacadinha pro filme, e apoia todo o filme na sacadinha. Vide aquela montagem bizarra, e "espertinha" (como diria Chelo) do pior filme já feito na história, Requiem Para um Sonho.
- Um filme puramente estético
Ser rigoroso com a imagem não significa que você tem o direito de fazer uma pessoa assistir simbolismos que não funcionam por duas horas. Me desculpem os exclusivamente estetas, mas acho a maioria grandes punheteiros com a cabeça vazia.
A Desconhecida, do Tornatore, consegue se achar revolucionário, é figurinha repetida, e dá informações demais a todo tempo. Uma coisa horrível. Com uma trilha sonora que não te deixa respirar por 1 minuto, no mal sentido da palavra.
Lady Chatterley se encontra no hall das figurinhas repetidas.
A Via Láctea é revolucionário de botequim, e de botequim bem sujo.
E o Science of Sleep, apesar de eu gostar do Michel Gondry, não passa de punheta visual, não no sentido literal. Ainda bem.
23/10/2007
Primeiros extremos

À Prova de Morte, de Tarantino é muito, muito legal!

Agora, A Desconhecida, de Giuseppe Tornatore, o mesmo diretor do Cinema Paradiso, é uma tremenda bomba!
17/10/2007
Lista da Mostra
Não gosto de muita coisa da mostra, especialmente certas pessoas, mas é fato que é muito legal. E ano sem ela, faz falta.
Segue abaixo a lista dos filmes que pretendo ver. Claro que alguns não poderei, e que verei outros além desses, mas isso é uma base.
Across the Universe
Nascido e Criado
Paranoid Park
Symphaty for The Devil
Sonhando Acordado
I'm not There
Viagem a Darjeeling
A viagem do balão vermelho
Control
Redacted
Glória ao Cineasta
Hana
Canções de Amor
Vocês, os Vivos
Angel
O Homem de Londres
A Desconhecida
Ainda Orangotangos
As Testemunhas
Lady Chatterley
Blind Mountain
Brando
A prova de Morte
Em Paris
O Assassinato de Jesse James...
Plataforma
Go Go Tales
A Via Láctea
Não Toque no Machado
A Questão Humana
Bamako
E sexta-feira verei Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, do diretor genial Sidney Lumet!
E sem dúvidas, o filme mais esperado por mim é I'm not There, veremos.

11/10/2007
Não vi e não gostei
O primeiro é um projeto, muito do picareta, chamado Filmefobia, que consiste em filmar as pessoas expondo-se de frente para seus medos. Eles amarram um cidadão que tem fobia à sangue e ficam mostrando cenas de gente se cortando pra ele. Coisas do gênero. Quem comando o projeto é o Jean-Claude Bernadet, com auxílio de várias pessoas, incluindo o picareta-mor do documentário Kiko Goifman.


Eu sei que as pessoas estão ali porque querem. Ninguém está obrigando elas, mas pelo amor de Deus, isso é o cúmulo do mal-gosto. Sensasionalista, apelativo e tudo de ruim que um filme pode ser. Se alguém ficar curioso, aqui vai o diário de filmagem do projeto, o qual eu li todo, e ainda estou impressionado em como alguém pode fazer um filme desse. Querer chocar assim, de graça. No site dão a desculpa que é um experimento, e que não sabem ainda onde vão chegar, e outras desculpas picaretas, que não justifica em nenhum momento uma coisa dessa.
Uma cineasta que eu sempre achei meia-boca, e que nunca entendi porque está fazendo filmes, é Lucia Murat. Seu último filme, Quase dois irmãos, é o tipo de filme que morre na praia. Você vê boas intenções, bom repertório por trás, tudo bem conceitualmente elaborado, mas na hora de pôr em prática, um grande fiasco. Outro filme dela, Olhar Estrangeiro, acho que sofre da mesma coisa. São filmes que não engrenam, e isso, infelizmente digo, parece que por falta de competência dos realizadores.
O próximo filme dela chama Maré, Nossa História de Amor, uma releitura de "Romeo e Julieta", ambientada em uma favela carioca, e é um musical! Um musical! O trailer segue abaixo:
Pra esses dois projetos não tem misericórdia. Não vi e não gostei!

10/10/2007
Mal interpretado (ou mal contado)
De ontém pra hoje, li diversas críticas sobre Tropa de Elite, e me surpreendi em como vários críticos esculaxaram o filme. Acusaram-no de facista, moralista, repressivo e reacionário. Discordo. Quando Martin Scorsese fez Taxi Driver, ele não assume uma postura de ficar ao lado do personagem, e de concordar com tudo que ele diz, pensa ou faz. Na verdade, é quase o contrário disso. O que acho que ele queria, é ver seu público chocado com as ações de seu personagem. Acontece que o filme teve efeito oposto, as pessoas nao só riam, como apoiavam e se identificavam com o personagem.
História mal contada ou interpretação muito rasa de quem vê? Não sei.
E acho também, que Tropa de Elite "sofre" da mesma coisa. Na minha visão pessoal, o diretor não adota uma postura de herói ou vilão para o personagem. Por isso falei sobre ambiguidade antes, por não considerar ninguém totalmente culpado, e ninguém totalmente inocente. Porém, equivocadamente ou não, pode-se pensar que ele estabelece o personagem de Wagner Moura como um herói, e é disso que eu tenho medo. Se as pessoas que estão assistindo, e estão gostando, têm o capitão como herói, o policial modelo, o ato que corrige a sociedade, estamos encrencados.
Giro em falso
O perigo de uma banda que lança um primeiro disco genial, é lançar um segundo. O segundo disco deve ser genial, inovador, coerente, etc. Tudo isso e muito mais, só que com um empecilho enorme: ele não é mais o primeiro. Ele é o segundo, e sendo assim, a banda não pode simplesmente aplicar todas as fórmulas que conhece, e que já utilizou, numa segunda vez. Infelizmente, é o que algumas bandas fazem, e acabam caindo no esquecimento.
Fato que não se aplica só a bandas, mas em quase tudo. Quando Senhor dos Anéis estourou no Oscar, caimos numa enxurrada de aventuras de capa-e-espada (como diriam os de idade) de décima quarta categoria. Cruzada, Eragorn, Alexandre, e alguns tantos mais lamentáveis que minha memória me fez o favor de apagar. Quando uma fórmula bem-sucedida faz sucesso, sempre chegam os aproveitadores. Coldplay tenta ser o Radiohead até hoje. Milhões de bandas quiseram ser tão precursoras do grunge quanto o Nirvana. Milhares de agentes secretos queriam ter o charme de 007.
Nada disso deu certo. Ou quase nada.
É inevitável não comparar Tropa de Elite com Cidade de Deus. A fórmula é basicamente a mesma: guerra na favela, uma vida que corre um risco constante, um personagem central carismático, muita câmera na mão, voz off, etc. Apesar de tudo isso, inacreditavelmente, o filme que foi lançado antes parece uma cópia do que veio depois. Tropa de Elite consegue muito mais do que o seu antecessor. Isso, dado a ambiguidade do seu personagem central, e consequentemente, dos caminhos que o filme pretende seguir. Ambiguidade para mim, é a palavra-chave do cinema hoje. Pelo menos do cinema de dramaturgia. Passando por isso, só sei que Tropa de Elite é um filme pelo menos mais sincero que Cidade de Deus, que não é ruim, mas tem uma vontade de seduzir o público ao mesmo tempo insasiavel e irritante. Tropa conseguiu pegar uma fórmula que existe, e supreendentemente conseguiu aprimora-la.
E só pra girar em falso e bater na mesma tecla que todo mundo que viu o filme: Wagner Moura é do caralho.

01/10/2007
Filmes Agosto/Setembro
Como alguns já sabem, passei o final de Agosto e começo de Setembro viajando. E além de não ver nenhum filme nesse e-mail, fica impossível atualizar o blog no meio do sertão. Por isso resolvi deixar Agosto e Setembro juntos, para poder falar dos filmes vistos nesses meses. Eis eles:
Em Busca da Vida, de Jia Zhang-Ke ***
Operação França, de William Friedkin ***
Medos Privados em Lugares Públicos, de Alain Resnais **
Amantes, de John Cassavetes ****
Leis de Família, de Daniel Burman ***
Simpsons, o filme, de David Silverman ****
Por uns dólares a mais, de Sergio Leone ***
Últimos Dias, de Gus Van Sant ***
O Dorminhoco, de Woody Allen **
O Grande Chefe, de Lars Von Trier *
Santiago, de João Moreira-Salles ****
Ajuste Final, dos irmãos Coen ***
As Pontes de Madison, de Clint Eastwood ****

Em Busca da Vida não é meu tipo de filme preferido. Todo mundo sabe disso. Mas fica visível o trabalho do diretor em construir uma atmosfera precisa, e imagens memoráveis. Mas o filme vai muito além disso. Como disse no post anterior, não gosto do Peter Greenway, que constrói imagens memoráveis, mas que não me diz quase nada. Jia Zhang-Ke é bem diferente. Ele tem muito a dizer, basta apenas querer escutar.

Operação França é surpreendente. Imagine um filme de ação e suspense feito com menos de dois milhões de dólares. Impossível nao é? Não! O filme é muito bom! E tem sua sequência final como uma das mais tensas do cinema. Recomendado para quem não conhece.

Muito ouvi falar sobre Resnais, mas nunca tinha visto nada. Não perdi a chance de conferir um filme dele no cinema, e me surpreendi negativamente quando o vi. Ele é sem dúvida nenhuma considerado um mestre do cinema, e isso que me frustrou. Não vi nada de especial, nada, que me fizesse achá-lo um pouco surpreendente. Não é um filme ruim, mas está longe de ser memorável.

Cassavetes, junto com alguns outros pouquíssimos cineastas, entra no hall dos diretores que "não erram". Filmes atrás de filme eu me surpreendo com a maestria desse cara. Filmes totalmente independentes: filma sempre na própria casa, faz todas as câmeras na mão, etc. Mas Cassavetes consegue algo que nenhum outro diretor quase consegue, desnudar totalmente seus personagens. Mostrá-los por inteiro, com dúvidas, incongruências, medos. Esse sim é genial.
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Outro cineasta maduro, e muito humano, é Daniel Burman. O cinema argentino está a anos-luz do cinema brasileiro, e não há quem consiga me convencer do contrário. Ponto.

Hoje em dia, em que o humor está cada vez mais repetitivo e baseado em piadas sem graça, Os Simpsons trazem um frescor as telas de cinema. Um humor sarcástico, muitas vezes ácidos, as vezes de gosto duvidoso, mas nunca burro. Precisamos de mais humor inteligente, e os criadores de Simpsons parecem ser um dos únicos preocupados com isso.

Em Por uns dólares a mais, vemos Sergio Leone se aquecendo para fazer suas obras-primas no western depois. Mesmo assim, ver Clint Eastwood matando uns cowboys é sempre divertido.
De toda a lista de filmes dos dois meses, Últimos Dias é sem dúvida o mais surpreendente. Mesmo sabendo que o diretor é o Gus Van Sant não sabia que ele teria a coragem de contar a história dos últimos de Kurt Cobain e tirar todo o drama da história. O filme simplesmente não tem dramaturgia. Se você espera ver Kurt se drogando, gritando, sofrendo seus conflitos existências, esqueça! O filme é uma grande criação de clima, e, surpreendentemente, consegue ser genial. A cena em que ele toca violão no estúdio é uma das grandes cenas do diretor.

Sou suspeito para falar de Woody Allen, já que ele é meu diretor favorito. Porém, em O Dorminhoco, ele faz um de seus piores filmes. Lembrando que um de seus piores filmes já é acima da média mundial. Mesmo assim, Allen, ainda não tinha descoberto o humor que lhe tornaria parte da história do cinema.

Lars Von Trier é uma pessoa do mal. Não sei o que ele quer fazendo esse filme, onde tudo que ele crítica, ele joga por água a baixo por fazer o mesmo. Não entendo a ânsia desse cara em querer aparecer. O filme até que tem coisas boas, mas é insuportável quando pensado em um aspecto maior, a da intenção e realização do diretor.

Ajuste Final é um dos filmes menos lembrado dos irmãos Coen, mas não menos importante. Um dos melhores filmes de gângster que já vi. Não chega a ser como outros filmes deles, que são mais interessantes, mesmo assim, merece ser assistido com gosto.
Clint é foda. Acho completamente impossível pensar que é possível fazer um romance, ser um bom filme, e usar de todos os clichês possíveis e imaginados. Mas Clint faz. E faz como ninguém. Não é, e nunca quis ser, um inovador da linguagem cinematográfica, porém hoje, é um dos diretores que tem um domínio como nenhum outro. É simplesmente genial.
29/09/2007
Mate um ídolo
Opiniões polêmicas e controversas são coisas que me agradam. Não por esporte, ou por aparecer, mas simplesmente gosto de ver o quanto algumas pessoas sentem-se ofendidas quando vêem a disposição de outra em tentar quebrar um de seus dogmas, ou de alguém tentando assassinar um de seus ídolos.
Por isso dedico esse pequeno post, que quase ninguém irá ler, a matar um ídolo alheio. A descer a lenha em alguém que seja adorado, venerado, idolatrado, e que você simplesmente ache uma merda. Mate um ídolo.
O ídolo que eu "mataria" nesse post, seria o Lars Von Trier, mas ele nem mais ídolo é. Vejo pouca gente, com excessão dos picaretas de alto nível, idolatrando essa criatura, então passo para uma opinião mais controversa, e digo aqui abertamente que acho Peter Greenway um porre. Posso me arrepender disso depois, mas foda-se, acho ele um cineasta de salto-alto, filma pretensiosamente e diz muito menos do que fala. Esteticamente é competentíssimo, mas, e dai? Muito fru-fru pra pouco material.
E vocês, que ídolo gostariam de matar? (Não no sentido literal da palavra porra!)
28/09/2007
Cinema redenção
Tinha uma birra de documentários. Tinha mesmo, não posso negar. Sei que é errado julgar um filme, ou deixar de assisti-lo por determinado gênero e/ou formato. Mas não tinha escapatória, de documentário eu passava longe, nacional ainda, a maior distância que podia.
Isso se deve a um fato, que muitos irão discordar, da maioria dos documentários que estreiam aqui no Brasil são péssimos. Tirando Eduardo Coutinho, que não tem graça por ser unânimidade, poucos conseguem mostrar algo interessante e que se sustente por mais de 60 minutos. Os documentários brasileiros resumiram-se em um punhado de entrevistas e narrações, com pouca gente ineteressada em criar nuances mais sofisticadas para o formato, ou de simplesmente praticar a caligrafia do cinema.
Mas (existe uma regra gramatical que diz ser proibido iniciar uma frase com "Mas", apesar de fazer todo sentido, eu teimo em escrever dessa maneira) o que realmente me incomoda, e o que me incomoda MESMO nos documentários, é o fato do diretor não estar filmando a própria realidade. Mais do que isso, é de como o diretor está manipulando a verdade ao seu favor, ou a favor do filme, e não se importa com isso, ou com consequências disso. Usa seu tema como uma espécia de zoológico, onde ele pode ver tudo, perguntar tudo, filmar tudo, mas não se atreve nunca a entrar na jaula. Criando uma mentira enorme a partir de um monte de pequenas verdades modificadas.
Essa relação minha com documentários mudou depois que eu fui ver Santiago nos cinemas. São poucos os filmes que me fazer rempensar o cinema, e esse definitivamente é um deles. Santiago me mostra uma coisa muito clara: é possível fazer um filme pessoal sem falar exclusivamente de você, o que parece muito óbvio de se deduzir, mas muito difícil de pôr em prática.



